'Só há prova testemunhal', diz defesa de bispo evangélico preso suspeito de estuprar menores em Paulínia

Para advogada não há elementos no processo para manter Reinaldo Silvério preso. Polícia Civil diz que religioso cometeu ato sexual com ao menos dois meninos.

defesa do bispo evangélico preso em Paulínia (SP) por suspeita de estuprar ao menos dois menores de idade vai pedir a revogação da prisão preventiva. Advogada de Reinaldo Silvério, Faya Barreiro defende que "não há elementos para que a prisão seja mantida" e que o processo só "possui prova testemunhal".

Reinaldo Silvério foi preso preventivamente na terça-feira (1) por estupro de vulnerável. De acordo com Faya, ele nega as acusações. A advogada informou ao G1 que protocolará o pedido de revisão da prisão até, no máximo, segunda-feira (7).

Segundo o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Luis Galazzo, o bispo cometeu ato sexual com ao menos dois garotos na casa dele e chegou a enviar fotos usando cueca para as vítimas.

"Basicamente, o processo inteiro só tem prova testemunhal. A maioria das imagens são fotos em que ele está na companhia desse menor, mas junto com os filhos. Fotos em que eles estão em ambientes público, numa lanchonete, em uma casa, nenhuma foto privada", diz Faya.

Pela internet

De acordo com a Polícia Civil, o bispo aliciava vítimas, todos meninos, pela internet. A investigação começou em março, após a denúncia da mãe de uma vítima, e o inquérito policial foi concluído com a prisão. O delegado informou que o caso já está na Justiça.

Segundo a polícia, o teor das mensagens do bispo para garotos nas redes sociais consiste em perguntas, para saber se namoravam, se eram heterossexuais e se gostariam de marcar um encontro. Elas foram anexadas ao processo.

"Ele acabou falando pro menino ir dormir na casa dele e lá aconteciam os abusos. [...] Pelo que consta, relação sexual. [...] Ficaram muito claros os abusos cometidos", diz o delegado Rodrigo Luis Galazzo.

As fotos do homem usando cueca eram enviadas via rede social. A mãe desconfiou da situação porque percebeu uma mudança no comportamento do menino e o filho acabou contando o que acontecia.

Durante a investigação, o bispo já havia sido ouvido pela polícia e sempre negou os fatos.

Mesmas circunstâncias

O outro caso relatado pela Polícia Civil é de um jovem de Hortolândia (SP), menor de idade na época dos abusos, que teriam ocorrido anos atrás. Ele também frequentava a igreja e chegou até a viajar com o bispo.

"Relatou mais ou menos as mesmas circunstâncias em que aconteciam os abusos", afirma o delegado.

No inquérito consta, ainda, que o bispo não usava preservativo quando cometia os atos sexuais com as vítimas, segundo a polícia.

Medida protetiva

Silvério também tem passagem na polícia por ter ameaçado a ex-mulher, que conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra o bispo, informou o delegado.

O filho deles teria presenciado o abuso contra uma das vítimas dentro de casa. Um inquérito foi aberto em maio para apurar esse caso. A advogada de Silvério confirmou que ele passa por um processo de separação conjugal.

Via: G1